quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Vídeo promocional de Elipse número 10!

Galiza: Augusto Fontám, Francisco Pazos,Manoel Bonabal, Ofelia Comesaña, Manuel Blanco, Sabela Carballo, Artur Alonso, Abilio Rodríguez, José André, Xosé María Vila, Alberte Corral e Alfonso Díaz.
Brasil: Paulo José Carneiro,Clarisse da Costa, Vivaldo Terres, Andréa Mascarenhas, Samuel da Costa e Lepota L.
Portugal: Fernando Fitas, Marília Miranda Lopes.
Moçambique: Narciso Balói e Chissano.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Fui eu, madr', a Sam Mamed', u me cuidei

B 1268, V 874
LP 65, 3

Fui eu, madr', a Sam Mamed', u me cuidei
que veess'o meu amig', e nom foi i;
por mui fremosa, que triste m'en parti!
e dix'eu como vos agora direi:
 «Pois i nom vem, sei ῦa rem:
 por mi se perdeu, que nunca lhi fiz bem».

Quand'eu a Sam Mamede fui e nom vi
meu amigo, com que quisera falar
a mui gram sabor, nas ribeiras do mar,
sospirei no coraçom e dix'assi:
 «Pois i nom vem, sei ῦa rem:
 por mi se perdeu, que nunca lhi fiz bem».
Depois que fiz na ermida oraçom
e nom vi o que mi queria gram bem,
com gram pesar filhou-xi-me gram tristem
e dix'eu log’assi esta razom:
 «Pois i nom vem, sei ῦa rem:
 por mi se perdeu, que nunca lhi fiz bem».


Joham de CangasNatural de Cangas de Morraço, península da ria de Vigo. Julga-se que foi um jograr, como o seu nome parece atestar, e por estarem as suas três cantigas integradas no grupo de composições de autoria de jograis galegos nos manuscritos. Nada mais sabemos sobre a sua biografia.
(Publicado em Elipse 4)

sábado, 1 de outubro de 2016

Um mundo em technicolor



Um mundo em technicolor
Estas instantáneas pertencem a duas tribos desse grande mosaico de inigualável riqueza etnográfica que é Etiopia e a_regiom do rio Omo. Na imagem da esquerda umha mulher Bena, tribo emparentada com os_Hamer, dirige-se a um mercado local onde, cousas do «progresso e a moda» já luzirá a_camisola que até esse momento porta por cima da cabeça sem mais cuidado. Este povo, ao igual que os Dassanech, na imagem da outra página, som ainda hoje povos que adicam a meirande parte da sua atividade ao cuidado do gado do que obtenhem junto com outros elementos vegetais o_imprescindível para a sua manutençom, vestido e habitaçom.
Eu que moro na Galiza, um país com umha cultura e umha língua que luita por sobreviver, também gosto de habitar num planeta no que poder atopar umha pluralidade de paisagens, de cores, de ecossistemas vivos onde a fauna e a_natureza floreza, um planeta onde umha grande diversidade de povos e culturas fagam que poidamos escuitar, degustar, cheirar e olhar um_mundo em tecnicolor, como se dizia quando chegou a cor ao cinema. Nom gosto dum mundo plano, cincento, monocor, onde só haja umha língua, umha cultura dominante que asovalha às outras, um mundo onde um escuite, para pôr um exemplo, a Lady Gaga em Vigo, Nova Iorque, Katmandu ou Nairobi, e se silenciem outros sons fermosos que expressam  os sentires das gentes desses lugares que fam parte desse mosaico , desse grade arco da velha que foi e deve seguir a ser o_nosso planeta.


Alfonso Díaz [Foni]. (Galiza)
Afeccionado à fotografia e às viagens.
(Publicado em Elipse 4)

terça-feira, 20 de setembro de 2016

As quatro estações

A primavera

Chegou a Primavera e ledamente
pássaros a saúdam c´o seu canto,
Sob o Céfiro as fontes docemente
com borborinho correm entretanto:
Vão cobrindo o ar com negro manto
anúncios de trono e relustre ardente
ora, depois o pássaro silente
torna de novo ao seu canoro encanto.
E assim, sobre o florido ameno prado
ao querido murmúrio da arvoreda
dorme o cabreiro c´o seu cão ao lado.
Ao som da pastoral sanfonha leda
dançam ninfa e pastor sob teito amado
pois chegou a primavera desta queda.

O verão

Sob a dura estação que o sol acende
esvaece o homem, a grei e arde o pinho;
Solta o cuco a voz e sei que atende,
canta a rola e canta o xilgarinho
Doce sopra o Zéfiro, mas contende
Bóreas aginha c´o seu vizinho;
Chora o pastor porque medoso atende
o trovão e seu fado, mas que está estinho;
Repouso rouba aos membros das canseiras
o medo do relampo e trovoada
e as furiosas moscas da mosqueiras.
São as suspeitas certo verdadeiras,
troa e fulmina o céu e a pedrada
troncha as espigas de trigo altaneiras.

O outono

Celebra o lavrador com baile e cantos
da feliz colheita o contentamento
e acesos de licor de Baco, tantos
no sono findam seu divertimento.
Faz deixar a cada um o baile e cantos
o ar, que tépido dá contentamento,
e a estação que está invitando a tantos
de um doce sono ao divertimento.
À alva o caçador marcha de caça
com cornos, espingarda e cães de raça.
Foge a fera mas, seguem-lhe a pegada;
Aterrada e cansa pola algueirada
de espingardas e cães, ainda ameaça
sem forças já, mas morre asovalhada.

O inverno

Geado aterecer trás neve algente
ao severo morrer de hórrido vento,
correr batendo os pés todo o momento;
por sobejo gelo bater o dente;
Passar ao lume o dia quedo e contente
enquanto a chuva fora molha a cento;
Caminhar polo laço a passo lento
por temor de cair ir continente;
Andar firme, escorrer e baquear,
de novo sobre o laço ir recear
deixando ao andar cristais quebrados;
Sentir silvar pola ferrada porta
Sirocos, Bóreas, ventos alçados.
Isto é o inverno, que ledice aporta.


Tradução de J. André López Gonçâlez
(Publicado em Elipse 4)

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Poema horizontal


Ro Palomera. (Galiza)Ganhadora do IV Concurso Literário «Rosa de cem folhas» organizado pelo Colégio Oficial de Psicología de Galiza, 2011.
(Publicado em Elipse 4)

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Queimados

  



Alexandre Insua Moreira. (Galiza)
Foi colaborador na edição das revistas Panta Rei, Sirxe, e Cen Corvos de Xallas e coordenador editorial da revista Máis que palabras. Pertence á_Junta Diretiva da Asociación Cultural O Castro de_Vigo. Livros coletivos: 18 - Unha antoloxía de poesia galega-portuguesa (2012), Doces Loucuras - Louvor aos sorrisos. Colectânea Poética (2013), Meis_é_poesía (2013), Alén do silencio (2014) e Migrantes - 29º Festival de Poesía do Condado (2015). Está Licenciado em Filologia Galega e em Filología Hispânica, e especializado em Linguística Geral pela Universidade de Vigo. Blog pessoal:  Impostura de fumador.:
http://imposturadefumador.blogspot.com.es/
(Publicado em Elipse 4)